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A neurose foi inicialmente definida e generalizada sobre as descobertas
sobre as histerias estudadas por Freud. Com a divisão da consciência exposta ao
conflito, Dunker (2014, p.3-4) afirma que.

[…]o recalcamento ou a separação entre afetos e representações
ocasionados pelo desligamento entre representação-coisa e representação-palavra à perda da capacidade recordação e rememoração, particularmente
de experiências sexuais de natureza traumática, a fixação ou regressão a
certas modalidades substitutivas de satisfação pulsional pela fantasia e o
retorno deformado simbolicamente do desejo como sintoma.

Segundo Oliveira (2008), os neuróticos, antes de ficarem doentes, possuíam
uma boa saúde física e mental, porém, em um determinado momento de sua vida,
um evento desencadeia uma demonstração de sintomas que emergem do
pensamento para o corpo, ou seja, quando o ego é confrontado com uma
experiência traumática ou um desejo aflitivo e angustiante demonstra através de
sintomas físicos como histeria e conversões somáticas. Este desejo, portanto, é
recalcado e permanece no inconsciente, mas em algum momento esses desejos,
que haviam sido esquecidos, vão procurar formas de se manifestar e diminuir a
tensão acumulada no inconsciente que é liberada por meio de sintomas, já que não
podem ser totalmente liberados. A neurose, por exemplo, se caracteriza por uma
recusa do ego em aceitar a pulsão do id, não aceitando a posição de mediador da
satisfação pulsional.
Dunker (2014, p.2) explica que  “o sofrimento é afetado por nossos
discursos, narrativas e modalizações normativas de escrita ou simplesmente, pelo
nome que damos a ele” e os sintomas neuróticos, como a histeria, são derivados da
falta de discurso ou nomeação dos sentimentos e dos próprios sintomas. Cada
discurso depende de uma meta de diagnóstico, que será único de cada indivíduo,
possibilitando a narrativa das diversas formas de mal-estar visíveis e invisíveis.
Em todos os sintomas neuróticos, como Freud (1924) entendia algo
acontece e o paciente percebe-se como estranho ou incompreensível, como na
histeria que se caracteriza pelos movimentos involuntários, alterações das funções
corporais e sensações bizarras; a neurose obsessiva, que se caracteriza por ideias
ou impulsos estranhos e persistentes; e por fim a neurose fóbica que é o medo
irracional, mesmo sabendo que não há motivos para considerar essas coisas como
ameaças.
A neurose e a psicose possuem características distintas. A neurose é uma
luta constante entre o indivíduo e a realidade onde está inserido, rejeitando seu
próprio ego (ele mesmo), para conseguir superar a angústia causada pela realidade.
Já a psicose é uma troca da realidade dolorosa por uma realidade alternativa
superável, na qual seus sofrimentos ficam do lado de fora desse mundo criado pelo
psicótico. “A neurose é o resultado de um conflito entre o ego e o id, ao passo que a
psicose é o desfecho análogo de um distúrbio semelhante nas relações entre o ego
e o mundo externo”. (FREUD, 1924 p. 169)

 

Referencias:

DUNKER, C. I. L. Estrutura e personalidade na neurose: da metapsicologia do
sintoma à narrativa do sofrimento. Instituto de Psicologia, São Paulo, v.25, n.1, p.
77-96, 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pusp/v25n1/09.pdf> Acesso
em: 03 set. 2018 p.2-3-4.

FREUD, S. O Ego e o Id e outros trabalhos (1923-1925). Edição standard brasileira
das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v.19. Rio de Janeiro: Imago,
p.47-169, 2009.

OLIVEIRA, M. S. B. O conceito das estruturas clínicas neurose e psicose para a
psicanálise. Revista Científica HCE, Rio de Janeiro, v.3, n.02, p.119, 2008.
Disponível em:
<https://www.academia.edu/5111244/O_CONCEITO_DAS_ESTRUTURAS_CL%C3
%8DNICAS_NEUROSE_E_PSICOSE_PARA_A_PSICAN%C3%81LISE_The_Conce
pt_of_Clinical_Structures_Neurosis_and_Psychosis_to_Psychoanalysis?auto=downl
oad>. Acesso em: 04 abr. 2018.